Ontem conheci a Isa. O final de tarde convidava a um passeio à beira mar. A caminho pensei para mim que nunca deveria ter ido viver para longe do mar... Faz-me falta o cheiro e a visão das ondas embrulhadas que me embrulham também os pensamentos…… e arrependo-me de decisões que nada têm a ver com o mar, nem com o assunto, nem muito menos com a Isa.
…Entre imperiais, jazz, batatas fritas e desabafos, suguei-lhe as vivências de uma experiência de vida igual à minha. Ouvi em minutos uma história de 5 anos, tão igual à minha de 5 meses. (com as devidas diferenças que o tempo faz acontecer).
…Fascinante ouvir a nossa história na boca e na vida de outra pessoa, como se as personagens, de repente, mudassem. Os nossos sentimentos, as nossas dores, os nossos receios vividos e sentidos por alguém que não somos nós. …A palmada nas costas em ares de compreensão fez-me bem. Bebi-lhe os conselhos e respirei em alívios de estados de espírito… afinal não era só eu que tinha cromos difíceis na minha caderneta.
Pedimos mais imperiais, mais batatas fritas e mais jazz enquanto o mar confirmava, em rebuliços, os ruídos de experiências complexas e agitadas como as nossas. Levámos o resto do tempo a rever a caderneta, e no fim ela confirmou-me, com o olhar complacente de quem já passou pelo mesmo, que não vale a pena lutar pelo cromo mais difícil, que o espaço continuará sempre em branco….. pelo menos , na caderneta dela, ainda está. Deixou de o procurar há 2 anos e revolveu este Mundo e metade d’outro, durante 5 longos anos, a batalhar por algo que nunca teve. Passados 7 anos, ainda lhe custa a lembrar as peripécias e os estados mais tristes da alma…não insisto nas perguntas, até porque lhe adivinho as respostas.
Vem-me à cabeça uma caderneta da Panini de Futebol que o meu irmão teve quando era miúdo e as lágrimas de felicidade de quando recebeu o cromo mais difícil. Regressei ainda a pensar que nunca deveria ter deixado de viver ao pé do mar, e voltei a arrepender-me de decisões que nada têm a ver com o assunto.
"Ouvi dizer que o nosso amor acabou. Pois eu não tive a noção do seu fim! Pelo que eu já tentei, Eu não vou vê-lo em mim: Se eu não tive a noção de ver nascer um homem. E ao que eu vejo, Tudo foi para ti Uma estúpida canção que só eu ouvi! E eu fiquei com tanto para dar! E agora Não vais achar nada bem Que eu pague a conta em raiva! E pudesse eu pagar de outra forma!
Ouvi dizer que o mundo acaba amanhã, E eu tinha tantos planos pra depois! Fui eu quem virou as páginas Na pressa de chegar até nós; Sem tirar das palavras seu cruel sentido! Sobre a razão estar cega: Resta-me apenas uma razão, Um dia vais ser tu E um homem como tu; Como eu não fui; Um dia vou-te ouvir dizer: E pudesse eu pagar de outra forma! Sei que um dia vais dizer: E pudesse eu pagar de outra forma!
A cidade está deserta, E alguém escreveu o teu nome em toda a parte: Nas casas, nos carros, nas pontes, nas ruas. Em todo o lado essa palavra Repetida ao expoente da loucura! Ora amarga! Ora doce! Pra nos lembrar que o amor é uma doença, Quando nele julgamos ver a nossa cura!
Estacionamos em contra-mão numa qualquer rua do Chiado. O arrumador é destemido e por isso dou-lhe uma moeda. Apreciamos os tectos da Brasileira e imaginamos os tempos em que Fernando Pessoa passava lá as tardes, em delírios de ópio, a escrever as palavras lindas que hoje lemos. O Chiado tem encantos ao virar de cada esquina e os teatros de rua que despontam a cada passo encanta-nos. Descemos o Carmo até ao Rossio e ganhamos fome ao subir outra vez até ao Bairro Alto à procura de um restaurante que esteve sempre lá mas que não conseguimos encontrar. O vinho está fresco, a comida picante e a companhia deliciosa neste jantar não programado de Domingo. Terminamos um jantar onde o humor e boa-disposição foram o prato principal (não desfazendo o Prawn Masala que tambem estava bom)
Voltamos ao Chiado e ouvimos a musica ao longe... Fomos ver e, admirados, ficamos até ao fim. É o 2º dia do Festival ao Largo, e a sobremesa, recheada pela Companhia Nacional de Canto e Dança de Moçambique, não podia ser melhor.
Não percam! O largo de S.Carlos é o local de eleição para este evento fantástico de entrada gratuita, até 27 de Julho.
Chego a casa com um sorriso que há muito tempo não tinha nos lábios. Os programas não programados são óptimos e, assim, as 2ª feiras são sempre muito melhores!
"On a dark desert highway, cool wind in my hair Warm smell of colitas, rising up through the air Up ahead in the distance, I saw a shimmering light My head grew heavy and my sight grew dim I had to stop for the night There she stood in the doorway; I heard the mission bell And I was thinking to myself, ’this could be heaven or this could be hell’ Then she lit up a candle and she showed me the way There were voices down the corridor, I thought I heard them say...
Welcome to the hotel california Such a lovely place Such a lovely face Plenty of room at the hotel california Any time of year, you can find it here
Her mind is tiffany-twisted, she got the mercedes bends She got a lot of pretty, pretty boys, that she calls friends How they dance in the courtyard, sweet summer sweat. Some dance to remember, some dance to forget
So I called up the captain, ’please bring me my wine’ He said, ’we haven’t had that spirit here since nineteen sixty nine’ And still those voices are calling from far away, Wake you up in the middle of the night Just to hear them say...
Welcome to the hotel california Such a lovely place Such a lovely face They livin’ it up at the hotel california What a nice surprise, bring your alibis
Mirrors on the ceiling, The pink champagne on ice And she said ’we are all just prisoners here, of our own device’ And in the master’s chambers, They gathered for the feast The stab it with their steely knives, But they just can’t kill the beast
Last thing I remember, I was Running for the door I had to find the passage back To the place I was before ’relax,’ said the night man, We are programmed to receive. You can checkout any time you like, But you can never leave! "
Dar as boas-vindas ao Verão. Fechar o chapéu da consciência e deixar passar os raios de calor Sentir arrepios e deixar-me levar…
Esquecer a chuva de Inverno que me tem caído pelo rosto Esquecer o frio que tantas vezes me tem gelado o Coração E deixá-lo entrar para me aquecer a Vida.
Li-o há bem pouco tempo na Viagem do Elefante e fiquei encantada com a sua escrita... não o conhecia e a ironia das suas palavras deixou-me com vontade de mais.
…És a areia fina da praia que me foge por entre os dedos sem dar conta És as ondas de um mar de inverno que me enrola a alma e me afoga o espírito…
Venho ao de cima para respirar mais uma vez e sacudo o cabelo com uma força demasiado tensa como que a sacudir também as más energias da mente. Inspiro as promessas Expiro os planos Relaxo da tensão que carrego nos ombros e que me faz doer as costas. E deito-me a ver passar as nuvens desenhadas com futuros que estão demasiado longe do presente.